A catarata é a perda de transparência do cristalino, a lente natural que fica dentro do olho. Com o tempo ela vai ficando opaca, e a luz deixa de chegar nítida à retina. É a causa mais comum de perda visual reversível no mundo.
Na maioria das pessoas a catarata é ligada ao envelhecimento e se instala devagar, ao longo de anos. Por ser gradual, muita gente se adapta sem perceber o quanto já deixou de enxergar.
Sinais que costumam aparecer
Os sintomas variam conforme o tipo e a posição da opacidade no cristalino:
- Visão embaçada ou 'esbranquiçada', como se houvesse um véu
- Sensibilidade à luz e ofuscamento, principalmente ao dirigir à noite
- Cores que parecem desbotadas ou amareladas
- Necessidade de trocar o grau dos óculos com frequência
- Visão dupla em um olho só
Quando a cirurgia entra
Não existe um valor de grau ou uma idade que decidam sozinhos. O critério principal é o impacto na vida da pessoa: quando a visão atrapalha dirigir, ler, trabalhar, cozinhar ou reconhecer rostos, a cirurgia passa a ser indicada.
Antigamente se esperava a catarata 'amadurecer'. Isso não é mais recomendado: a catarata muito densa torna a cirurgia mais trabalhosa e a recuperação mais lenta.
Há situações em que o oftalmologista indica operar mesmo com sintomas leves, por exemplo quando a opacidade impede acompanhar a retina de um paciente diabético ou glaucomatoso.
Como é a cirurgia
O procedimento mais usado é a facoemulsificação: por uma incisão de poucos milímetros, o cristalino opaco é fragmentado por ultrassom e aspirado, e no lugar dele entra uma lente intraocular. É feito com anestesia local, sem internação, e costuma durar poucos minutos por olho.
A escolha da lente intraocular é parte importante da consulta: existem lentes monofocais, tóricas (para astigmatismo) e multifocais, e cada perfil de paciente se beneficia de uma delas. Essa conversa acontece antes, com exames de medida do olho.
A recuperação
A maioria das pessoas já enxerga melhor nos primeiros dias, com a visão estabilizando ao longo de algumas semanas. O pós-operatório envolve colírios por um período determinado e alguns cuidados simples: evitar esforço físico intenso, coçar o olho e ambientes com poeira.
Os dois olhos não são operados no mesmo dia. O intervalo é definido pelo médico conforme a recuperação do primeiro.
O que fazer agora
Se você se reconheceu nos sintomas, o passo é uma consulta oftalmológica com exame de fundo de olho e avaliação do cristalino. O diagnóstico de catarata é clínico e simples de fazer: o que leva tempo é decidir junto com você o melhor momento e a lente certa.


