No calor, os olhos enfrentam três coisas ao mesmo tempo: radiação ultravioleta mais intensa, água de piscina e mar, e ambientes climatizados que ressecam. Nenhuma delas é grave isoladamente: juntas, explicam boa parte das queixas de verão no consultório.
Sol: o cuidado que rende a longo prazo
A radiação ultravioleta tem efeito cumulativo e está associada a catarata precoce, pterígio (a 'carne crescida') e alterações na retina. Os óculos de sol não são acessório: são filtro.
O que importa é a proteção UV comprovada, não o tom da lente. Uma lente escura sem filtro é pior do que nenhuma: ela dilata a pupila e deixa entrar mais radiação. Compre em ótica, não em camelô.
Boné e chapéu de aba larga complementam, cortando a luz que entra por cima e pelos lados.
Piscina e mar
O cloro irrita a superfície ocular e a água do mar pode carregar microrganismos. Óculos de natação resolvem a maior parte do problema.
Quem usa lente de contato tem um cuidado a mais: não entrar na água com elas. A lente retém micro-organismos contra a córnea, e existe um risco real de infecção grave: a ceratite por Acanthamoeba, associada justamente a água, é de tratamento longo e difícil.
Depois do banho de mar ou piscina, lavar o rosto com água limpa ajuda. Se o olho ficar vermelho e assim permanecer, procure avaliação em vez de usar colírio por conta.
Ar-condicionado e telas
O ar refrigerado reduz a umidade e acelera a evaporação da lágrima, daí a sensação de areia nos olhos. Piscar conscientemente, fazer pausas ao usar telas e manter-se hidratado ajudam.
Colírio lubrificante sem conservante pode ser usado, mas colírio 'que tira o vermelho' não: ele age contraindo vasos, mascara o problema e, com o uso repetido, piora o quadro.
Quando não esperar passar
Procure atendimento se aparecer:
- Dor ocular, e não apenas incômodo
- Perda ou embaçamento súbito da visão
- Vermelhidão intensa que não melhora
- Sensibilidade forte à luz
- Secreção purulenta
- Sensação de corpo estranho que persiste


